Kommienezuspadt
28.10.03
 
POWERS OF TEN
Não sou propriamente fan de questões da ciência, a não ser pela necessidade, uma vezes, e pelo gosto, outras, de conhecer coisas novas. Contudo, visito com agrado esta morada --
http://micro.magnet.fsu.edu/primer/java/scienceopticsu/powersof10/index.html

Procurei também, é claro, algo que está próximo da minha realidade e das minhas preocupações! Ora aqui estão os nossos amigos neurotransmissores!
http://micro.magnet.fsu.edu/micro/gallery/neurotrans/neurotrans.html

Acetylcholine
The connection between the axons of one cell and the dendrites of an adjacent cell is called a synapse. The transmission of signals across a synapse is accomplished by the use of small chemical messengers that are termed neurotransmitters. There are several major classes of neurotransmitters that function in several types of synaptic junctions. Acetylcholine is used for fast responses, catecholamines transmit signals in adrenergic synapses of the brain and smooth muscle, while some amino acids act as neurotransmitters used in inhibitory signals.
-- do mesmo site.
27.10.03
 
1970
1970, zero. De distâncias e ventos e sol e algumas nuvens. 1970. Ok, sol. Ainda. De monocotiledóneas também, mas apenas por acaso e sem saber o que são. Ruelas em madrugadas enevoadas. Words, words... e... 1970. Não me esquecerei. Aqui também http://www.nobel.se/literature/laureates/1970/index.html
 
THERE COMES A DAY
Por muitas voltas que demos ao assunto, por muitas tentativas, mais ou menos róseas e oníricas, que façamos, a verdade é que quando chega o momento... estamos sozinhos... Podemos achar que teremos connosco os que de nós gostam, os que nos adoram, aqueles que influenciamos, aqueles que olham para nós e vêem apenas o nosso lado sorridente, esquecendo as mil neuras e fúrias, mas não... estaremos sozinhos. Teremos que pensar no que fazer... sozinhos. Teremos que decidir... sozinhos. Teremos que organizar as nossas decisões... sozinhos. Não, não é pessimismo, garanto, é a realidade. No fundo, e apesar de tudo, estaremos sozinhos. A responsabilidade última será nossa.

último
do Lat. ultimu
adj.,
que está colocado em derradeiro lugar ou que vem depois de todos os outros;
-- Dicionário da Língua Portuguesa - Texto Editora
26.10.03
 
DAS BORBOLETAS
Hoje, de preguiça imensa e naquele hábito de ouvir a TSF ao domingo, liguei o rádio e às tantas um programa acerca de borboletas. Bom, achei que talvez não fosse o meu tema de eleição, mas a preguicite domingueira é terrível e lá se deu início à audição. Para grande surpresa minha, os lepidópteros são até animais interessantes ou, pelo menos, assim pareceram sê-lo. Terá sido o texto de Nobokov? Maybe! Gostei! Ah! e parece-me que as borboletas e eu temos uma coisa em comum, imagine-se... é que somos termófilos.

termofilia
do Gr. therme, calor + phílos, amigo
s. f.,
preferência que certos organismos vivos têm por ambientes com temperaturas elevadas.

25.10.03
 
THINK, THINK, THINK!
Ok, eu sabia que tinha uma certa tendência para me meter em trabalhos, literalmente, em trabalhos... e então, depois de muita conversa, fiquei eu de arranjar um nome para uma actividade (mensal). Tem que ser um nome catchy!
Pensei, pensei, pensei e durante dias andei de roda da palavra grab, não sei porquê...
Até que ontem... grab a clue... o que não me parece mal de todo... serão dadas pistas/questões para que os nossos miúdos descubram as respostas.
Grab a clue.
Grab a thought.
Grab an answer.
Grab... bom... se não gostarem de grab, paciência! I'll grab myself and go preach somewhere else! (wink wink)

24.10.03
 
PORQUÊ?
Porque faço colecção de Alice's Adventures in Wonderland, em várias línguas.
Leitura de encantar e fazer esquecer o tempo. Leitura de questionar o mundo e de lembrar o quem em cada um de nós.

http://www.cs.indiana.edu/metastuff/wonder/wonderdir.html
 
ADVICE FROM A CATERPILLAR

The Caterpillar and Alice looked at each other for some time in silence: at last the Caterpillar took the hookah out of its mouth, and addressed her in a languid, sleepy voice.

`Who are YOU?' said the Caterpillar.

This was not an encouraging opening for a conversation. Alice replied, rather shyly, `I--I hardly know, sir, just at present-- at least I know who I WAS when I got up this morning, but I think I must have been changed several times since then.'

`What do you mean by that?' said the Caterpillar sternly. `Explain yourself!'

`I can't explain MYSELF, I'm afraid, sir' said Alice, `because I'm not myself, you see.'

`I don't see,' said the Caterpillar.

`I'm afraid I can't put it more clearly,' Alice replied very politely, `for I can't understand it myself to begin with; and being so many different sizes in a day is very confusing.'

`It isn't,' said the Caterpillar.

`Well, perhaps you haven't found it so yet,' said Alice; `but when you have to turn into a chrysalis--you will some day, you know--and then after that into a butterfly, I should think you'll feel it a little queer, won't you?'

`Not a bit,' said the Caterpillar.

`Well, perhaps your feelings may be different,' said Alice; `all I know is, it would feel very queer to ME.'

`You!' said the Caterpillar contemptuously. `Who are YOU?'

Which brought them back again to the beginning of the conversation. Alice felt a little irritated at the Caterpillar's making such VERY short remarks, and she drew herself up and said, very gravely, `I think, you out to tell me who YOU are, first.'

`Why?' said the Caterpillar.

Here was another puzzling question; and as Alice could not think of any good reason, and as the Caterpillar seemed to be in a VERY unpleasant state of mind, she turned away.

`Come back!' the Caterpillar called after her. `I've something important to say!'

This sounded promising, certainly: Alice turned and came back again.

`Keep your temper,' said the Caterpillar.

Alice's Adventures in Wonderland, Chapter V
-- Lewis Carroll

 
LUPUS MAGNUS
Juntem-se umas quantas almas. Dois grupos. Um com todos os direitos. O outro sem nenhum. Um que mande. O outro que obedeça. Espere-se. Observe-se. Quais as consequências?
Então, de um sistema de diferenças a um sistema de igualdades, pois claro.
E as igualdades que enervavam alguns! Que era igualdade a mais, que na igualdade há sempre alguns que não encaixam.
Resultado, um pequeno grupo de escolhidos, liderado por uma alma, até aqui respeitadora das regras, toma o poder e defende o sistema do aqui mando eu.
Temos um novo lupus magnus. Temos uma dictatura.

Foi na BBC. Um estudo acerca do comportamento humano (realizado por uma universidade, não me recordo qual). Interessante.

 
PACING
Back and forth, back and forth. Bring me home, yes, bring me home. And would it last forever this something new? Or will it be gone tomorrow or yesterday or will it yearn for yesterday's tomorrow? Will it? Maybe...
Maybe I could grow a garden green of life, maybe I could sail the seas away, and maybe I could write a fairy tale to smiles of blue. Yeah, will we grow together?
And I am pacing, pacing back and forth, pacing my day away, my night away, pacing, pacing my path of hunting grounds, searching, searching that one thought that will let me go.

Yernen sunshine.
 
DE UMA PALAVRA...
Pois foi ele que disse e ficaram assim. Pela janela um tremor de antecipação. O tempo parou, fragmentado, multifacetado num repente de suspeitas. A certeza.
Talvez pudéssemos tentar a rebelião, talvez... diz-me como, pensou ela. Ou tens medo?
Olhou em redor, enfadado, a disfarçar a sua pequenez, e a pensar que a desiludiria.
Mas ela não via. Pensava nas cicatrizes que não desapareceriam, alheada do que a rodeava, alheada dele. Talvez amanhã tudo fizesse sentido. Talvez amanhã ele não existisse. Talvez amanhã o horizonte fosse a linha de uma montanha ao longe e de um deserto límpido de tudo, de nada. Olhou para ele. E?
Ele, confuso. Que não entendia essa obsessão, que estava farto de a aturar. Que o mundo não girava em torno dela e das suas pequenas realidades, das suas pequenas preocupações.
Sorriu. Organiza-te. E disse, vou.
Espantado, ainda esboçou um "porquê...?" arrastado.
Contudo, ela foi. Partiu. Não hesitou.

In slow motion detail..., como diz a música.

20.10.03
 
THE ISLANDS
Este ano, que tanto me tenho dedicado ao turismo, torna-se, então incontornável, uma espreitadela aos sites das islands, o meu destino.
Perguntam-me vezes sem conta... Começou num dia cinzentão de chuva. Alguém notou que estava muito séria. Comentei que odiava aquele tempo e que queria ir para as Bahamas! E ficou.
Quando chove, todos brincam, dizendo, ok, já sabemos, Bahamas!
Agora que Outubro se aconchega a nós, com o seu frio, a sua chuva, por vezes tímida ainda, penso muitas vezes nas islands e sorrio, que o comentário, por ser repetido à exaustão, ainda dará lugar à realização da dita viagem!
Talvez por lá fique então, por encantamentos. Talvez!

Smile and others will smile back.
-- Jean Baudrillard
 
DE UM ANIVERSÁRIO QUE NÃO SERÁ
Este fim-de-semana haverá um aniversário que não será comemorado. As pessoas afastam-se. E quando se afastam, afastam-se sem honrarem o que já foi entre elas. Tenho pena.

...receding, and still receding till nothing at last but two mournful features were seen in the uttermost distance;...
-- Charles Lamb, Dream-Children

HBD.
18.10.03
 
AS HORAS
Sim, o filme. O livro já o tinha lido, foi-me emprestado por um amigo.
Gostei de um e de outro igualmente, cada um na sua linguagem.
O que mais me impressionou no filme, que a imagem ajuda sempre a tornar o conteúdo mais marcante, foi a limpidez linear de sentires tão complexos quanto a Vida e a Morte, o Amor e o Ódio, a Força e a Fragilidade de cada um de nós.
Percorre-se o filme de um folêgo só.
E equacionamo-nos nele e fora dele, enquanto cumplicidades mil se desenrolam perante nós.

That is what people do. They stay alive for each other.
-- http://www.thehoursmovie.com/home.php
17.10.03
 
SEA DOGS AND SUCH!
Pois há! Há mesmo!
E invadem-nos assim nuns repentes, quando desatentos pensamos no nosso mundinho de pequenez. Foi hoje, de novo.

Enfim... Good night, good night! parting is such sweet sorrow, /That I shall say good night till it be morrow. -- Shakespeare


My language! heavens!
-- William Shakespeare, The Tempest

16.10.03
 
DA CULTURA ÀS GEOGRAFIAS
As andanças na Net são, por vezes, hilariantes.
Acho que um dia destes começo a registar as peripécias, os comentários, as situações por que se passa e ainda acabo a escrever um best-seller!
Hoje, knock-knock. Batem leve, levemente, como quem chama por mim, pensei, será chuva, será gente? Era gente...!
Cumprimentei o visitante, que se apresentou, cortês, e que disse interessar-se por culturas diferentes.
Pensei, na minha alegre ingenuidade, olha, olha, que simpatia! Aqui está alguém com quem talvez se possa ter uma conversa minimamente inteligente.
Pois a expectativa de uma interessante cavaqueira rapidamente desapareceu... porque o cavalheiro passou a uma série de perguntas de carácter pessoal a que respondi apenas... bom... pensei que o interesse fosse cultural, afinal é também um interesse "geográfico"!

Não há paciência!!! Como por aqui se diz... LOL!

LOL Laughing Out Loud
http://www.netlingo.com/emailsh.cfm
15.10.03
 
ROLL OVER
Senta, levanta, ladra, dá a pata. Agora ao contrário, que quem comanda as operações são os nossos meninos e nós, quais cães adestrados na sua melhor forma, obedecemos pavlovianamente.
Frase cruel? Realidade nua e crua? Who knows... But...
A verdade é que não se pode continuar neste crescendo circense.
Eu farei a minha parte, que já a planeio. Sim.
Em conjunto com uma outra artista, preparo-me, de mansinho. Que isto da arte tem que ser de mansinho... Preparo-me em leituras, em ideias, em conteúdos. Preparo-me. Desta preparação sairá, em breve, um projecto (que sem estar tudo num papel é complicado...) que dará lugar a uma grande trabalheira, mil irritações, dores de cabeça constantes e... se tudo correr bem... alguns domadores de trazer por casa a menos.


mansinho
loc. adv.,
ao de leve, sem fazer ruído; mansamente.
-- -- Dicionário de Lí­ngua Portuguesa, Texto Editora

14.10.03
 
BOLÍVIA
Paramos em frente à caixa de correr mundo, impávidos, como se assistissemos apenas a um documentário qualquer de origem duvidosa. Todavia, quando pensamos no caos diário e pessoal de quem teme, já não pelos seus bens, mas pela sua vida... então percebemos que a nossa serenidade é de uma crueldade impressionante.
Consideremos então o terror de um indivíduo, de uma família, fechados em casa, sem luz, possivelmente até sem comida, cumprindo um recolher obrigatório, ouvindo os enforcer da ordem aparente lá fora, tiros, correrias, gritos, pânico...
Nesta perspectiva, deixa de ter graça, não deixa?
Deixa de ser algo distante, que observamos, comodamente, do nosso sofá.

People demand freedom of speech as a compensation for the freedom of thought which they seldom use.
-- Soren Kierkegaard

No comment.
 
WORRIES, WORRIES, WORRIES
Pois que uns não pagam, outros não cumprem e outros ainda apenas porque não.
Dizem, para grandes males, grandes remédios.
Depois, o mais prosaico. O dia-a-dia. A maledictas.
Pensei logo na expressão "Ser levado das maleitas", contudo endiabrados e travessos são os outros, aos olhos do alteru.
Todos na sua vida de worries, worries, worries...

Sine dolore non vivitur in amore
-- Augustinus Aurelius
13.10.03
 
PEPETELA

Porque...

Disse o amarrotado chefe, nunca perdendo uma oportunidade para reduzir o presunçoso Rosas à sua real dimensão de verme ou mosquito sem ferrão, que dois tiros seriam mais fáceis de ouvir que um só e o guarda do palácio se referira a um som isolado. O chefe mais uma vez revelava ser um poço de perspicácia, no reconhecimento do inferiorizado e idoso agente, mas também era verdade que, dada a distância, um tiro de pistola chamaria muito menos a atenção do guarda, apenas o prepararia subconscientemente para ouvir o segundo, o de caçadeira, estrondoso, refutou brilhantemente o agente Rosas, muito vaidoso com o seu raciocínio. Aproveitemos para acrescentar que o agente Rosas não era um cabornanço qualquer, pois lia de vez em quando uns livros de psicologia criminal. Só não podemos garantir dogmaticamente que entenderia uma linha, mas isso é irrelevante.

Jaime Bunda e a morte do americano
-- Pepetela

... estou a ler.
 
DAS AMIZADES QUE SE ESTABELECEM

Que sempre fui algo céptica em relação às amizades que se estabelecem através de Net, todos sabem. É verdade que a "vida real", na sua ironia costumeira, provou que eu não devia, pelo menos nalguns casos, sê-lo. Contudo, confesso, de cada vez que uma amizade se estabelece, fico surpreendida.
A Net parece-me sempre um espaço indefinido, em que se conversa com gente, mais ou menos definida, mais ou menos real nas suas rotinas, nos seus mundos. Parece-me sempre que co-existimos todos numa dimensão paralela.
Quando ambas as realidades se misturam e, surpreendentemente, não colidem, o cepticismo sub-limine espanta-se, de alguma forma.


amicitate
s. f.,
laço cordial entre duas ou mais entidades
-- Dicionário de Língua Portuguesa, Texto Editora

10.10.03
 
ACCESSIBILITATE II
Limei algumas arestas, que o tema é de uma imensidão...
Amanhã. People's attitudes e functional barriers.


As pessoas com deficiência deverão estar no centro do Ano Europeu, que tem como objectivo a consciencialização dos direitos das pessoas com deficiência à igualdade total e à participação em todas as áreas. Trata-se de derrubar as barreiras impostas às pessoas com deficiência, onde quer que existam.
-- O Ano Europeu das Pessoas com Deficiência - 2003

Amanhã.
 
THE BRIAR AND THE ROSE

I picked the rose one early morn
I pricked my finger on a thorn
It had grown so high
It's winding wove the briar around the rose

I tried to tear them both apart
I felt a bullet in my heart
And all dressed up in spring's new clothes
The briar and the rose

And when I'm buried in my grave
Tell me so I will know
Your tears will fall
To make love grow
The briar and the rose
-- Tom Waits , The Black Rider
 
FRIDAY REPORT
As minha semanas têm, até hoje e desde que teve início o ano dos ensinamentos, sido organizadas em função das sextas-feiras.
Construo sentidos, preparo materiais e tento pôr tudo em prática à sexta-feira, até aqui sem o conseguir.
Hoje, contudo, foi diferente... Para grande tristeza minha, atingi os objectivos delineados. Parece um contra-senso... Não é.
Recorri a algumas das técnicas mais antigas de controlo da indisciplina, técnicas que pouco têm das teorias comunicativas, que pouco projectam a interacção em contexto, que nada motivam. São técnicas que visam, essencialmente, a gestão de atitudes e que relegam para segundo plano a realização de aprendizagens; técnicas cujos objectivos os alunos terão, aparentemente, entendido.
Resta saber se uma situação de calmaria arrancada à força poderá também ser sinónimo de aquisição de conhecimentos...
Duvido.


controlo
s. m.,
vigilância superior; orientação fiscalizadora; verificação correctiva; conferência; revisão; dominação.
-- Dicionário de Língua Portuguesa, Texto Editora

9.10.03
 
AS NOSSAS CRIANÇAS GRANDES
Dizem que os nossos meninos andam por aí a assaltar gente... Arrepio-me de pensar que possa ser este ou aquele miúdo que conheço desde que, pela primeira vez, pisou o espaço que partilhamos para a educação e que tantas vezes é feito de momentos de atenção em déficit.
De repente, deixam de ser os nossos meninos e passam a ser indivíduos com rostos que quase tentamos não adivinhar.
A agitação dos que anunciam as aventuras nocturnas, na caixa de correr o mundo, contagia-nos com uma perplexidade inundada de estranheza.
Afinal, onde estão os nossos meninos?


For the child whose impulsiveness is indulged, who retains his primitive-discharge mechanisms, is not only an ill-behaved child but a child whose intellectual development is slowed down. No matter how well he is endowed intellectually, if direct action and immediate gratification are the guiding principles of his behavior, there will be less incentive to develop the higher mental processes, to reason, to employ the imagination creatively. . . .
-- Selma H. Fraiberg, The Magic Years, 1959


Searching.
8.10.03
 
DIÓS BA BU DIANTI
Tem que ser, a pouco e pouco.
Que os miúdos falam.
Não os entendemos.
E se sou educadora, perante uma barreira, que faço?
Não cruzarei os braços, certamente.


Dexa
v.
1. deixar,
dja-m dexâ-l sabi: eu já lhe disse, lit. "já o deixei saber",
ka-u dexâ-m skesi: não me deixes esquecer,
interpel. familha moki dexa?: e a família como vai?,
2. KA DEXA PA, não deixar que,
Do port. deixar
-- Versão portuguesa da obra Dictionnaire Étymologique Créole de Santiago-Français de Nicolas Quint-Abrial,1999 Verbalis


Diós ba bu dianti: boa sorte, desejo-te muita sorte, lit. "(que) Deus vá à tua frente"!
 
ACCESSIBILITATE
Estive a preparar-me para sábado.
Há um mundo de informação, que se estende por questões de espaços, da Internet, das atitudes... O trabalho, o viver, as férias...
Conseguir gerir essas informações, considerando o caso que se apresenta (Erb-Goldflam-Oppenheim, na referência mais histórica que actual...), é complexo.
Espero conseguir articular uma sequência lógica, que despolete uma troca de impressões interessante e provoque, em cada um dos participantes, a necessidade de reflectir!


acessibilidade
s. f., qualidade de ser acessí­vel;
facilidade na aproximação, no trato ou na obtenção.
-- Dicionário Universal da Língua Portuguesa, Texto Editora

Sábado!
7.10.03
 
FAUSTO e os ROMÂNTICOS
Acabei de encomendar o Fausto de Goethe.
Faz-me falta ler textos em alemão (e os que preparo para os miúdos não contam!).
Brentano, Eichendorff... tenho saudades daqueles livritos amarelos tipo "pocketbook", com que andava, religiosamente, e que sublinhava e anotava até que quase não se entendesse o que por lá estava escrito.
São mundos diferentes, que nos surpeendem por estarem escritos em alemão, aquela língua que tantos consideram feia e "arranhante", mas que reflectem outra forma de beleza.
Faz-me falta falar em alemão aqui em casa. Faz-me falta a regularidade, a familiaridade. Faz-me falta o linguajar corrente. Faz-me falta não ter que pensar naquela frase que os miúdos perceberão e na outra que terei que reformular. Faz-me falta falar apenas, ler apenas, sem preocupações metodológicas, didácticas. Faz-me falta.
Por isso, encomendei o Fausto.
Um dia destes irei à procura dos românticos!

Agora, esperar!
 
AQUI
Hoje, em casa.
E aquela agitação de quem não quer aqui estar, de quem tem trabalho para fazer, de quem se intriga com a instabilidade do corpo... Desta vez, a garganta.
Então, na ilusão de conseguir estar simultaneamente ocupada e a fazer algo útil, escrevo a carta que devia ter sido escrita há um mês, a carta para a amiga sul africana a viver nos Estados Unidos, carta sempre longa, de muitos sentires, de muitos contares, como se de uma conversa se tratasse, que quase a ouço responder!
Depois... depois a leitura daquele texto que pode ajudar no Projecto. A capacidade de concentração não é muita, mas que me esforcei, esforcei!
Finalmente, umas arrumações, pequenas, que me deixam sem fôlego... descansar então.


Die Welt in ihrer Tiefe verstehen heißt den Widerspruch verstehen.
-- Friedrich Nietzsche

Conseguiremos?
6.10.03
 
EQUILIBRISTAS
Percorro o horizonte com o olhar. Ao longe, alheados, navios de gigantes em ponto de barcos de brincar. Lentos. Passeiam pela linha que liga o cá e o lá. Equilibristas. Suspensos de si. O viver do mar em namoros com a terra rochosa. E eu navegadora, sonhante de sonhos.


FAR out in the sea the water is as blue as the petals of the most beautiful corn-flower, and as clear as the purest glass. But it is very deep, deeper than any cable will sound; many steeples must be placed one above the other to reach from the ground to the surface of the water. And down there live the sea-people. ...
-- Hans Christian Andersen, The Little Sea-Maid

Ondinas.
 
ÍNDIA!
Recebi um postal da Índia! Enviou-mo uma amiga que este ano está a trabalhar em Panjim. Fantástico como um pequeno postal pode alegrar tanto um dia! Um punhado de palavras, um abraço e o adivinhar de um sorriso que se colou a este postal, antes de ser enviado!


...Goa became a state in 1987. The capital is Panaji (Panjim). (...) The languages spoken there are Portuguese, English, Marathi, and Konkani, a dialect.
-- The Columbia Encyclopedia, Sixth Edition. 2001.


e também, food for thought

Friendship is a serious affection; the most sublime of all affections, because it is founded on principle, and cemented by time.
-- Mary Wollstonecraft

Hoje fui à Índia!
4.10.03
 
NETZ
... de apanhar gente, para alguns.
... de conhecer gente, para outros.
... de trabalho, para muitos.

Contudo, o que mais me irrita é a incapacidade que tantos têm de ouvir, de conversar apenas. E perco, cada vez mais a paciência para viajar acompanhada aqui, neste mundo virtual. Pena...


Das schwerste auf der Welt ist ein schweres Herz.
-- Johann Wolfgang von Goethe

Vou.
 
O PREÇO
Paga-se sempre um preço por tudo o que se faz. E o preço que hoje sou obrigada a pagar, pelo dia de ontem, é bem alto.


NOUN: A loss sustained in the accomplishment of or as the result of something: cost, expense, sacrifice, toll.
Roget’s II: The New Thesaurus, Third Edition. 1995.

Later.
3.10.03
 
WILDE

(...) The second appearance of the ghost was on Sunday night. Shortly after they had gone to bed they were suddenly alarmed by a fearful crash in the hall. Rushing downstairs, they found that a large suit of old armour had become detached from its stand, and had fallen on the stone floor, while, seated in a high-backed chair, was the Canterville ghost, rubbing his knees with an expression of acute agony on his face. The twins, having brought their pea-shooters with them, at once discharged two pellets on him, with that accuracy of aim which can only be attained by long and careful practice on a writing-master, while the United States Minister covered him with his revolver, and called upon him, in accordance with Californian etiquette, to hold up his hands! The ghost started up with a wild shriek of rage, and swept through them like a mist, extinguishing Washington Otis's candle as he passed, and so leaving them all in total darkness. On reaching the top of the staircase he recovered himself, and determined to give his celebrated peal of demoniac laughter. This he had on more than one occasion found extremely useful. It was said to have turned Lord Raker's wig grey in a single night, and had certainly made three of Lady Canterville's French governesses give warning before their month was up. He accordingly laughed his most horrible laugh, till the old vaulted roof rang and rang again, but hardly had the fearful echo died away when a door opened, and Mrs. Otis came out in a light blue dressing-gown. `I am afraid you are far from well,' she said, and have brought you a bottle of Dr. Dobell's tincture. If it is indigestion, you will find it a most excellent remedy.' The ghost glared at her in fury, and began at once to make preparations for turning himself into a large black dog, an accomplishment for which he was justly renowned, and to which the family doctor always attributed the permanent idiocy of Lord Canterville's uncle, the Hon. Thomas Horton. The sound of approaching footsteps, however, made him hesitate in his fell purpose, so he contented himself with becoming faintly phosphorescent, and vanished with a deep churchyard groan, just as the twins had come up to him.

On reaching his room he entirely broke down, and became a prey to the most violent agitation. The vulgarity of the twins, and the gross materialism of Mrs. Otis, were naturally extremely annoying, but what really distressed him most was, that he had been unable to wear the suit of mail. He had hoped that even modern Americans would be thrilled by the sight of a Spectre In Armour, if for no more sensible reason, at least out of respect for their national poet Longfellow over whose graceful and attractive poetry he himself had whiled away many a weary hour when the Cantervilles were up in town. Besides, it was his own suit. He had worn it with great success at the Kenilworth tournament, and had been highly complimented on it by no less a person than the Virgin Queen herself. Yet when he had put it on, he had been completely overpowered by the weight of the huge breastplate and steel casque, and had fallen heavily on the stone pavement, barking both his knees severely, and bruising the knuckles of his right hand. (...)
The Canterville Ghost, Oscar Wilde

Porque este texto me faz sorrir, sempre que o leio.
 
ACDC
Back is black
Hells bells
Thunderstruck
TNT
Live. Angus Young. Brian Johnson. Também Malcolm Young, Cliff Williams e Chris Slade.

Para aplacar a fúria. Bem alto, a contar com a paciência dos vizinhos, claro.


(...) Nobody's gonna get me on another rap
So look at me now
I'm just makin' my play
Don't try to push your luck, just get out of my way (...)
Young, Young, Johnson

Highway from hell.
 
DA LOUCURA E DA TEIMOSIA
Hoje é aquele dia... o dia em que venho para casa com a sensação de ter sido atropelada por um autocarro... o dia em que saio de casa cheia de energia e ideias e vontade de construir e de imaginar coisas e de e de e de... é o dia em que regresso, contudo, a casa com a noção clara de que ter ideias é mau...

Nesta loucura de um desgaste quase completo, há um lado em mim, desistente, que se entrega a um conformismo irritante. Será que vale a pena? Mas há também um lado rebelde, aquele que, teimoso, se agarra à certeza de que os miúdos valem a pena SEMPRE. Por muito que falem, por muito que nos zanguemos com eles, esse meu lado recusa-se a desistir deles, recusa-se a cruzar os braços.
E é por esta razão que hoje é aquele dia...


Friday. Fairies and all the tribes of elves of every description, according to mediæval romance, are converted into hideous animals on Friday, and remain so till Monday.

mas também

Friday (....) was regarded by the Scandinavians as the luckiest day of the week.
E. Cobham Brewer 1810–1897. Dictionary of Phrase and Fable. 1898.

Sexta-feira.


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