Kommienezuspadt
30.9.03
POIS...
Continua a chover...
Ligaram-me a perguntar se estava tudo bem. Já é famoso, ao que parece, o meu mau humor em dia de chuva...!
Por onde andará o bom tempo...?
Eu devia ser como os pássaros, migrante. Devia viajar com o bom tempo, com o sol. Devia deixar aos resistentes a tarefa de se adaptarem às contantes mudanças de tempo. Devia, devia, devia...
Espantoso, mas há quem se anime com a mudança... Há quem sorria por ter, agora, a aventura quase sub-aquática, de se ensopar até ao pescoço, por charcos enlameados, de lutar com a teimosia daquele chapéu-de-chuva de estimação, com uma haste torta, mas de padrão "Oh, tão giro!"...
Já estou como os miúdos... q stress!!
rain: precipitation in liquid form. It consists of drops of water falling from clouds (...). Rain plays a key role in the hydrologic, or water, cycle in which moisture from the oceans evaporates, condenses into clouds, precipitates back to earth, and eventually returns to the ocean via runoff into streams and rivers to begin the cycle again.
The Columbia Encyclopedia, Sixth Edition. 2001.
Ok... mas mesmo assim, prefiro o sol!
29.9.03
ES REGNET...
Agora aqui um momento filosófico acerca da chuva, das suas qualidades, da sua importância para a cultura ocidental, oriental e... lunar... or whatever...
Não!
Por muito romântica, bonita, útil até, que a chuva seja, fico, invariavelmente, de mau humor quando chove.
Tenho dito.
The rain fell alike upon the just and upon the unjust, and for nothing was there a why and a wherefore.
W. Somerset Maugham
Até amanhã.
28.9.03
FURY
Reli hoje passagens deste texto. Reencontrei-me aqui:
Can right be wrong? Is the wrong thing right for you? I believe you came here tonight to find out the answer, to see if you could conquer your fury as you helped me conquer mine, to find out if you could find a way of coming back from the edge.
Salman Rushdie
Erinnyes!
STEINE
Não fui. Não vi. Espreitei, na caixa de correr o mundo. O tempo passa, intemporal!
... Tell me a story about how you adore me
Live in the shadow, see through the shadow,
Live through the shadow, tear at the shadow
Hate in the shadow, and love in your shadowy life ...
Jagger/Richards
DE UMA CONVERSA
Dizem que as conversas são como as cerejas. Pois são. De empatias múltiplas. De silêncios cúmplices. De olhares. Um após o outro.
Quando se conversa com alguém que se conhece há pouco tempo, há um descobrir progressivo, um encontrar. Por vezes, surpreendemo-nos com a proximidade. Outras, encontramos algo que não nos é familiar.
Como quando caminhamos pela praia, mesmo onde as ondas, já pequeninas, se espreguiçam, e encontramos as formas que nos enchem a imaginação. Ou quando, nesse passeio, um brilho, uma cor diferente, nos apanha desprevenidos.
Podemos pensar tratar-se apenas de mais um momento...
Ou podemos achar que as cerejas, feitas de brilhos cúmplices, são absolutamente deliciosas!
Men always talk about the most important things to perfect strangers.
G. K. Chesterton
Foi a cumplicidade de uma viagem e do regresso que nos agitou a alma.
27.9.03
THE LAKE
Fechado, talvez. Profundo. Deep blue, deep dark.
Ou... talvez não...
The Lake Isle Of Innisfree
I WILL arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made:
Nine bean-rows will I have there, a hive for the honey-bee,
And live alone in the bee-loud glade.
And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the mourning to where the cricket sings;
There midnight's all a glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.
I will arise and go now, for always night and day
I hear lake water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements grey,
I hear it in the deep heart's core.
W.B.Yeats
Pela palavra.
26.9.03
HEUTE
Hoje percorri o tempo depressa demais.
Hoje fui rodeada de mil momentos.
Hoje zanguei-me.
Hoje sorri.
Hoje sou um pouco diferente!
the most wasted of all days is one without laughter.
e. e. cummings
25.9.03
AGORA O REGRESSO
Quem de nós partiu, por um momento, regressou há pouco. A casa está tranquila. Recupera-se a rotina dos seus silêncios, dos seus ruídos, dos seus pensares. Há uma certa onda de cansaço, mas estamos todos de novo aqui. Da pequena tempestade que foi, agora a bonança.
Redescobri também a amizade irredutível, incontornável, inamovível, a amizade que se fez forte para que a minha tempestade fosse de menor invernia.
Por vezes, na redescoberta de algo que tomamos por certo, por quotidiano, encantamo-nos com os pequenos sorrisos que nos oferece. Ficamos maravilhados e, espantosamente, surpreendidos com a sua existência!
E neste misto de final de tempestade, início de bonança e encantamentos de sorrisos, percorro o horizonte com o olhar e evoco o meu equilíbrio.
... when blessed silence returns, I can listen to the butterflies that flutter inside my head. To hear them, one must be calm and pay close attention, for their wingbeats are barely audible. Loud breathing is enough to drown them out. This is astonishing: my hearing does not improve, yet I hear them better and better. I must have the ear of a butterfly.
Jean-Claude Bauby
Amanhã.
GESTERN...
Quando uma parte de nós, que não somos mesmo nós, mas aqueles que nos completam, não está bem, há um pedacito em nós que não se conforma e que, rebelde, se revolta contra a mudança... Ontem revoltei-me.
Que siga a viagem.
23.9.03
DO AZUL PROFUNDO
A palavra viagem é uma palavra curiosa!
Evoca passados e futuros. Evoca o agora em cada um de nós, como o ponto em que paramos para repousar, para pensar no que foi e preparar o que será.
Diz-me um dicionário que da viagem esperamos um percurso, mais ou menos organizado, partindo de um ponto para chegar a outro. Contudo... hesito. Que enquanto aqui escrevinhava esta penada, em tom de introdução, viajei, em velocidade luz, por cantos mil...
Lembrei-me então do que é viajar na palavra de outrém. Lembrei-me então de
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Pessoa
22.9.03
SEAS
I must down to the seas again,
to the lonely sea and the sky, /
And all I ask is a tall ship and a star to steer her by.
John Masefield
Aqui se inicia a viagem!
