Kommienezuspadt
31.1.04
Amazing Mars!
Eu que, confesso, não sou grande fan da ciência e do espaço, salvo a normal curiosidade que suscitam, acho este site amazing!
http://www.marsquestonline.org/
Ainda uma prenda de Natal II!
O livro do Júlio Machado Vaz, Olhos nos olhos - histórias de sexo e vida. Interessante. Em relação a alguns pontos, para reflectir.
Natal em Janeiro, not bad! Haverá ainda alguma prenda de Natal por aí? Just wondering, just wondering!
30.1.04
Quando?
Quando é que se sabe que se chegou a um limite? Que se tem que parar?
Estou tão cansada... Acho que tenho que parar... Mas quando? Quando poderei parar?
Venting...
29.1.04
Hoje...
... não me apetece escrever nada. Fiz minhas as palavras de outrém.
Até amanhã ou depois!
Never put off until tomorrow what you can do the day after tomorrow.
- Mark Twain
Zitat III
Only after the last tree has been cut down;
Only after the last fish has been caught;
Only after the last river has been poisoned;
Only then will you realize
that money cannot be eaten.
- Cree Indian Prophecy
Zitat II
What is life? It is the flash of a firefly in the night. It is the breath of a buffalo in the winter time.
- Crowfoot (1821-90)
Zitat
Continuous effort--not strength or intelligence--is the key to unlocking our potential.
- Black Elk (1863-1950)
Tratem-me como um atrasado mental e eu agirei em conformidade
... perguntei a um aluno que acompanho, o qual por razão nenhuma se levanta do lugar durante as aulas e passeia pela sala, se, estando eu a trabalhar com ele, me poderia levantar assim de repente, virar-lhe as costas, sem lhe dar cavaco, e ir-me embora.
Resposta, claro que não stora, era falta de respeito.
E levantares-te tu não é?
Hesitação... Stora...
And...?, pergunto eu.
Stora..., encolhendo os ombros, ... as aulas são secantes...
Porquê?
Porque não me fazem pensar... é sempre sopa de letras, palavras cruzadas, já tou farto...
Se são secantes, porque não tentas que não o sejam? Porque não propões à prof que se veja um filme, que se faça um debate, que se realizem actividades diferentes?
Encolhe os ombros, yah...
Bom, é claro que se seguiram alguns minutos de elicitação de conteúdos já trabalhados, relativos à correcta postura na aula, ao respeito pelo trabalho dos outros, profs e/ou colegas, e a mais um ou dois conceitos, supostamente, adquiridos anteriormente.
Pensei, que conversa secante... Contudo, o miúdo não se queixou, não fez caras de enjoo nem de amuanço e muito menos de enfado. Colaborou sempre activamente nas questões que lhe lancei.
Pergunto-lhe, e esta conversa agora não é secante?
Responde-me, não.
Porquê?
Porque me faz pensar.
Também eu fiquei a pensar.
As aulas, quando não são o circo de animação e entretenimento, que determinada corrente defendia (e defende ainda), para motivar os meninos, so they say... são secantes, pensamos nós profs, mas... será que os miúdos concordam?
Ou será que o circo reduz os miúdos a uma massa estupidificada, remetida ao seu papel malabarista de fragmentos de conteúdos sem articulação e, consequentemente, sem sentido, ondulante na sua (des)motivação ansiosa?
Somos nós que temos que ser entertainers? Ou, devemos optar por trabalhar solidamente, sem fantasias? Afinal, queremos conteúdo ou forma?
Eu quero as duas coisas. E acho que talvez não fosse má ideia começar pelo conteúdo, para que a forma se torne então mais sólida, digo eu... e pelos vistos, também o miúdo que acompanho.
25.1.04
Eu não disse!
Pronto, eu não disse, chuva... Já estava mesmo à espera. Cinzento. Nuvens, chuva. GRRRRRRRRRR... E estamos em Janeiro. Ainda faltam.. deixa cá ver... just about (contando pelos dedos...) ... MIL meses para o Verão... GRRRRRRRRR!!
(grumbling...)
Ok, vou ler umas coisas do Garfield, para sair desta cinzentice...!
http://garfield.ucomics.com/?uc_full_date=20040125
Perguntas
... de uma amiga, há uns dias: "Ké isso d'um blog??"
Respondi-lhe sucintamente, que ela não é de ouvir grandes explicações (i.e. divagações, diz ela).
"Mas p'ra que serve??"
Respondi-lhe, de novo, fazendo um esforço para recorrer à minha capacidade de síntese (i.e. para não me enervar com a necessidade de ter que produzir uma explicação tipo fast-food, digo eu).
"Ah... Entendo... É assim uma espécie de... de ir aos treinos!"
Treinos?!
"Sim, há os de andebol, de ginástica, de futebol e o blog é o da escrita.. né?"
Ahmmmmm... ok, é... também... pode ser... maybe...
"É, é!"
E o assunto ficou resolvido! Era!
Gostava de ser assim!!! A vida seria tão mais simples... né? (sorriso)
24.1.04
Um céu azul e duas nuvens
Lá fora, hoje à tarde.
Lembrei-me do pintor.
Era a simplicidade de duas pinceladas num aparente descuido. Azul.
Blue...
Amanhã, chuva?
Quando às vezes...
nos sopram uma palavra de magia ao ouvido,
nos encantam com um sorriso,
nos levam a ver o mar,
nos fazem pensar um mundo pequeno em grande,
nos sorriem de mansinho,
nos escrevem um momento num repente,
nos envolvem de hojes e de mais hojes,
... nos lembramos de que somos talvez felizes...
...
I knew he had a peace and a happiness up his sleeve somewhere.
...
-- Carl Sandburg , Chicago Poems
Penitência
Que afinal dizer palavras de sim ao texto da Inês Pedrosa.
...
Não é o olhar de desdém inteligente que se aprende nas janelas dos aviões, não. Já suspeitava que o olhar rectangular que se despeja sobre o movimento desvairado das formigas humanas em nada se aparenta à inclinação compassiva do olhar de Deus. Nesta primeira prega da transcendência, neste noante à margem do teu tempo e da minha eternidade, o meu olhar sem órbitas move-se por ampliações máximas de pormenores mínimos.
...
Inês Pedrosa, Fazes-me falta, Dom Quixote
23.1.04
Ainda uma prenda de Natal!
Recomendo!
La Bohème
http://www.metopera.org/synopses/boheme.html
Il Trovatore
http://www.metopera.org/synopses/trovator.html
Adorei!
Removing the signs
É tempo de apagar os sinais do passado.
É tempo de os acomodar numa caixa de memórias.
É tempo.
Assim o farei.
21.1.04
Certezas
...
Os homens simplificam o mundo pela linguagem e o pensamento, ficando assim com certezas; e ter certezas é a volúpia mais poderosa neste mundo, muito mais poderosa que o dinheiro, o sexo e o poder juntos. A renúncia a uma verdadeira inteligência é o preço a pagar para se terem certezas, e é sempre uma despesa invisível no banco da nossa consciência.
...
Como me tornei estúpido -- Martin Page, ASA
O movimento de um som
Por vezes, a beleza da simplicidade, embala-nos num encanto de segundos e faz pensar que afinal vale a pena.
20.1.04
Zitat II
Ist es ein Fortschritt, wenn ein Kannibale Messer und Gabel benutzt?
-- Stanislaw Jerzy Lec
18.1.04
Zitat
Avantgardisten sind Leute, die nicht wissen, wo sie hinwollen, aber als erste dasein möchten.
- Anonymous
17.1.04
Aung San Suu Kyi
Within a system which denies the existence of basic human rights, fear tends to be the order of the day...A most insidious form of fear is that which masquerades as common sense or even wisdom, condemning as foolish, reckless, insignficant, or futile the small, daily acts of courage which help to preserve man's self-respect and inherent human dignity.
-Aung San Suu Kyi
http://www.nobel.se/peace/laureates/1991/index.html
http://www.burmacampaign.org.uk/pm/weblog.php?id=P109
16.1.04
Zitat
Die Sterne sind nur der Vater Deines Schicksals. Die Mutter ist Deine eigene Seele.
Johannes Kepler (1571-1630)
14.1.04
The agony of having to face the consequences of one's choice!
Chegou, de novo, a altura de traçar o plano de formação.
Ok, eu, para não fugir à regra, tento sempre fazer formação na área das TIC. Este ano vou inventar!!
Ora bem...
*ou uma acção para aprender a usar o Word, coisa de que não faço a mais pequena ideia... (ar de anjo!)
*ou uma acção para aprender a usar a Internet, outra coisa de que não faço a mais pequena ideia... (ar de anjo 2!)
*ou uma acção acerca de manutenção de hardware e software, coisa de que não faço MESMO ideia!
Com a sorte que tenho, vou ser seleccionada para esta última, está-se mesmo a ver!
Tenho um 102 escrito na mão...
Não sou de atar fiozinhos nos dedos, de virar o relógio ao contrário, trocar os anéis das mãos, não sou de fazer cruzes, risquinhos, ou afins, quando me quero recordar de que tenho que fazer alguma tarefa, mais ou menos, importante.
Contudo, hoje, na loucura do corre-corre dos dias de semana, escrevinhei a correr 102 no espaço que existe entre o dedo indicador e o polegar da mão esquerda. Fi-lo sem pensar, fi-lo para me lembrar de que, antes de sair da Escola, teria que fazer algo (algo que não vem aqui ao caso, mas que tem a ver com as infindáveis papeladas e burocracias necessárias ao bom funcionamento da vida...).
Antes de sair, lá me lembrei do que tinha que fazer... Eficaz, esse pequeno número cumprira a sua função, a da lembrança.
No entanto, arrepiei-me com uma lembrança de outros números, de outros momentos, com outras funções. Lembrei-me até de que os números, vistos por quem os traz para o resto da vida, estão ao contrário, por terem sido riscados por outrem...
Eu tinha um 102 escrito na mão, mas este 102 não quer dizer nada, não vai existir comigo para o resto da vida e não é, certamente, o espelho de mil penas. Eu tenho sorte.
13.1.04
Ouvi dizer que...
"A biblioteca é um local fúnebre"
Uhmmm... Entendo o conceito, mas não sei se concordo. Haverá mundo mais vivo do que uma biblioteca, com as suas mil vivências, os seus mundos geradores de mundos outros?
Que o silêncio, o silêncio... Uhmmm... E não é do silêncio que se gera a vida? Não é do silêncio que se parte?
Just wondering... again...!
Of angels and such... (to my English speaking friend who believes in angels)
There's this videoclip by the group Texas featuring a well-known French actor portraying, at some point, an angel.
I remember a friend of mine saying that each one of us does have a guardian angel and that that angel, as any non-perfect being, sometimes watches over you, sometimes is a bit absent-minded. That would explain why bad things happen to you and why there are close-calls.
I also remember talking to this same friend and wondering where our angels are. The idea was that they sit by you while you sleep, walk behind you in the street, or sit next you at a restaurant.
Comforting?
Yet, going back to the Texas' video clip, the look in the French angel's eyes is kind of elusive...
Makes you wonder...
11.1.04
Pequenas coisas V... Rosas e uma pergunta...
Se há coisas estranhas na Net... Primeiro uma rosa, depois uma pergunta. So far so good. O problema é que a pergunta te tira as medidas e isso é estranho, muito estranho... É tipo, pago para ver... Uhmmmm... Bad.
Pequenas coisas IV... Goo Goo who?!
Recuperei do esquecimento um album dos Goo Goo Dolls. Não sei se muita gente os conhecerá por cá. Softy music. Mas algumas lyrics interessantes. Do vocalista, aquele ar desamparado... que era o que de mais vivo tinha na memória, curiosamente. O album, Gutterflower. O ano, 2002.
...
You take it so slowly
And your eyes look so lonely
But it's only when you think about me
Oh, yeah
When you think about me
Think about me
And I got ahead
Don't let me speak
And you got a secret I can't keep
You see a little stranger in your mirror
The guy you never knew is what you fear
...
Gutterflower -- Goo Goo Dolls, CD
Pequenas coisas III... chocolate branco?
Adoro! Não comia há imenso tempo. Um cubito. Tasty!
Que só mesmo aos pouquitos é que se apreciam as coisas boas!
Pequenas coisas II... aniversário
Daqui a um mês precisamente há um aniversário. Não esquecer! :) Tenho que começar a pensar nas prendas! Yuppie! (sorry, desabafo! Mas matutar em prendas, ir à procura delas, fazer segredo absoluto, antecipar aquele sorriso é das coisas que mais gozo me dá! Daí o entusiasmo juvenil!).
Pequenas coisas I... do Futuro numa folha de papel...!
Pronto, pronto, já sei do meu Futuro para um ano!
Fantástico como a Vida parece tão simples, assim, traçada num pedaço de papel. Divirto-me com o linguajar técnico e sorrio com as expressões espalhadas por todo o espaço do Futuro naquele papelito, precavendo qualquer desvio traiçoeiro do destino! É engraçado! Enfim... que haja alguma coisa engraçada, que me perdoem os puristas e os crentes nestas projecções minimalistas!!
10.1.04
Do que se lê II...
Resisti até agora, não sei bem porquê, a comprar livros da Inês Pedrosa... Hoje o Fazes-me falta, publicado pela D. Quixote.
Porquê? Porque é feito a duas vozes, segundo me disseram, uma viva e uma... não viva e porque tenho curiosidade em assistir a esse diálogo!
Do que se lê...
Como me tornei estúpido, que é um título espantoso, considering!! O texto é agressivo e mordaz, é de Martin Page, publicado pela ASA.
...Actualmente com vinte e cinco anos, esperando uma vida mais fácil, Antoine tomou a resolução de vestir o manto da estupidez. Constatara muitas vezes que a inteligência é a palavra que designa o disparate bem construído e proferido, que ela está tão pervertida, que, geralmente, é mais proveitoso ser-se estúpido que intelectual ajuramentado.
...Antoine nunca tinha tocado numa gota de álcool.
...Vendo o quanto o pensamento dos bêbados era vago e desligado de toda a realidade (....) Antoine decidiu aderir a essa prometedora filosofia.
...Não tendo qualquer conhecimento sobre o assunto, Antoine não sabia como encetar a sua nova carreira.
...Ao fim de três dias a devorar (...) livros, a tomar notas e a fazer fichas de leitura, pensando já dominar um pouco o assunto, [viu que] a cinquenta metros, no passeio frente ao seu apartamento, ficava um café chamado Le Capitaine Éléphant. Foi aí que decidiu pesquisar.
...Sentado ao balcão, um homem (...) tinha alinhado onze copos cheios de líquidos diferentes. Antoine viu nele um especialista.
...- Não é a ler que te tornas alcoólico - observou Léonard com fleuma. (...) Quero ser teu professor de alcoolismo. (...) Roger, uma imperial para o miúdo!
...Antoine olhava para o grande copo de cerveja coroado de espuma branca ;(...) [depois] de ter cheirado o líquido, ficando com espuma no nariz, Antoine começou a beber. Fez uma careta, mas continuou a beber.
Cinco minutos mais tarde, uma ambulância parou derrapando no passeio diante do Le Capitaine Éléphant. Dois enfermeiros entraram no bar com uma maca e levaram Antoine em coma alcoólico. No balcão, o seu copo de cerveja estava ainda meio cheio.
...
E a odisseia continua! Quase receio o que vem a seguir...!
De uma dúvida que apoquentou grandemente a paz!
Há uns tempos apercebi-me de que, num dos restaurantes onde vou com mais frequência, havia um tipo com um comportamento estranho a receber os clientes... Ora cumprimentava muito bem e fazia conversa. Ora nem tugia nem mugia. Ora sorria muito. Ora parecia carrancudo.
Bom, pensei que talvez a vida não lhe corresse lá muito bem, que talvez fosse de humores. Semanas passaram, e sempre aquele vacilar...
Até que um dia, para grande espanto de todos, o tipo tinha, no espaço de uma hora, mudado de roupa duas vezes!!
Gargalhada geral!
Twins!
Como será ter um gémeo?!
9.1.04
A cloud away...
There’s a cloud in my glass,
it lays there, still, quiet,
in a silent royal attitude.
There’s a cloud in my glass,
it challenges my quietness,
and pushed me to reaction.
There’s a cloud in my glass.
There’s a glass by my river,
it plans to stay there, clouded,
in a peaceful manner.
There’s a glass by my river,
it reminds me of myself,
standing all by my-self.
There’s a glass by my river.
There’s a river in my prairie,
it flows, glassy and awake,
in silence.
There’s a river in my prairie,
it smiles and cries
with all the tears of Mankind.
There’s a river in my prairie.
There’s a mountain over there. See?
Where the cloud and the glass and the river are looking at.
It grows, steady, against the horizon.
It mimics life with its ups and downs.
It is alive.
There’s a mountain in my soul...
...a partir de um quadro de Magritte.
Two roads
Two roads diverged in a yellow wood
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long as I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth,
Then took the other as just as fair
And having perhaps the better claim;
Because it was grassy and wanted wear,
Though as for that, the passing there
Had worn them really about the same.
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet, knowing how way leads onto way
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh,
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I-
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
-Robert Frost
I know. Of whatever makes us go out in the rain and just believe there's something beyond that line. The sweet certainty of the blue. I know. Thank you for reminding me of that, L.
8.1.04
Do passado que nos pesa na alma...
Dizia o homem que prendeu Eichman, como era possível ser aquele homem tranquilo, ali deitado, a ler um livro, o responsável pela morte de milhões de pessoas...
http://motlc.wiesenthal.com/gallery/pg20/pg5/pg20537.html
...ainda não fechei o livro de Elie Wiesel... e acho que dificilmente o fecharei...
6.1.04
Zitat
Wer im Dunkeln sitzt, zündet sich einen Traum an.
If you're sitting in the dark, light up a dream.
Nelly Sachs
Para reflectir também...
Li.
...
A neve começava a formar uma camada espessa sobre os nossos cobertores. Trouxeram-nos pão, a ração habitual. Atirá-mo-nos a ele. Alguém teve a ideia de acalmar a sede comendo neve. Foi rapidamente imitado pelos outros. Como não nos podíamos baixar, cada um de nós estendeu a sua colher e comeu a neve acumulada sobre as costas do vizinho. Aquilo fazia rir os SS que observavam este espectáculo.
...
Noite - Elie Wiesel
No comment...
4.1.04
Para reflectir...
Estou a ler.
...
Nunca mais esquecerei esta noite, a primeira noite no campo, que fez da minha vida uma noite longa e sete vezes aferrolhada.
Nunca mais esquecerei aquele fumo.
Nunca mais esquecerei as pequeninas caras das crianças cujos corpos eu tinha visto transformarem-se em espirais sob um azul mudo.
Nunca mais esquecerei estas chamas que consumiram para sempre a minha Fé.
Nunca mais esquecerei este silêncio nocturno que me privou, para a eternidade, do desejo de viver.
Nunca mais esquecerei estes momentos que assassinaram o meu Deus e a minha alma, e os meus sonhos, que tomaram a aparência de um deserto.
Nunca mais esquecerei isto, mesmo que tenha sido condenado a viver tanto tempo quanto o próprio Deus. Nunca mais.
...
Noite - Elie Wiesel
Caminhar
...
Agora, neste momento que parou para sempre, poderia estender a minha mão devagar e, muito, muito devagar, podia levá-la ao encontro da tua, podia tocar a pele da tua mão. Agora, podia dizer uma palavra, podia dizer o teu nome como se caminhasse numa rua e perdesse uma flor. Permaneço. Imóvel. Em silêncio. Não sei se o rosto, o olhar, o brilho, que vi eras tu, se era a imagem de ti na minha memória. Na última luz, vi-te. Não sei se te vi. Imóvel. Em silêncio. Tenho medo de que não estejas aqui, neste banco negro, ao meu lado, dentro desta escuridão onde também estou. Mas eu sei que estás aqui. Se quisesse podia dar-te a mão. Se quisesse podia dizer o teu nome. Mas eu não sei se estás aqui. Permaneço. Imóvel. Em silêncio. Cheguei para sempre a este jardim e quero que esta noite negra continue para sempre e que nunca tenha que saber se este rosto, aqui ao meu lado, dentro da escuridão, és tu ou a imagem de ti nesta memória que está aqui ou que sonha que está aqui.
...
Antídoto - José Luís Peixoto
2.1.04
Plágio
...
Shirley voltou nitidamente bem disposta. Que informações lhe teriam dado para abrir aquele espantoso sorriso ostentando madrugadas? (Devo imediatamente avançar que esta imagem de sorriso ostentando madrugadas nem passou pela cabeça de JB, congenitamente avesso a subtilezas líricas; trata-se de plágio canhestro de um poeta morto no anonimato e miséria; incapaz pois de vir reivindicar direitos. Porque isto de plágios tem muito que se lhe diga, quem poderá em sã consciência garantir nunca ter bebido de tal taça? Nem Jesus Cristo, que se fartou de copiar e recopiar profetas anteriores, e não é por isso que deixará de ser santo.)
...
Jaime Bunda e a morte do americano - Pepetela
1.1.04
Da relatividade do tempo ou da vontade de repetir um ritual
2004.
Ontem era 2000 e qualquer coisa antes de 2004. Hoje já temos uma vida nova. Não posso deixar de sorrir com a urgência das correrias frenéticas de quem quer entrar nesta nova vida a festejar, a esbracejar, a esconjurar, a.. enfim... festejar é bom! E um 2004 não aparece todos os dias!
2004.
Ontem foi 2000 e qualquer coisa cheia de dores de cabeça e coisas que correram mal. Hoje já tenho uma vida nova. Lou Reed a tocar. Não é mau abrir um 2004 a ouvir Lou Reed!
Agora tudo de novo. Queremos acreditar nisso. Apazigua-se-nos a alma. Amanhã ainda estaremos enebriados pela novidade. Depois também. Eu, eu ouço Lou Reed bem alto!
Esta rotina anual do virar do ano, enche-nos de energia!
Só por isso já vale a pena!
Images
I think images are worth repeating
images repeated from a painting
Images taken from a painting
from a photo worth re-seeing
I love images worth repeating
project them upon the ceiling
Multiply them with silk screening
see them with a different feeling
Images, oh, images
Images, oh, images
Some say images have no feeling
I think there's a deeper meaning
Mechanical precision or so it's seeming
instigates a cooler feeling
I love multiplicity of screenings
things born anew display new meanings
I think images are worth repeating
and repeating and repeating
Images, oh, images
Images, images
I'm no urban idiot savant
spewing paint without any order
I'm no sphinx, no mystery enigma
what I paint is very ordinary
I don't think I'm old or modern
I don't think I think I'm thinking
It doesn't matter what I'm thinking
It's the images that are worth repeating
Ah, repeating, images
Images
If you're looking for a deeper meaning
I'm as deep as this high ceiling
If you think technique is meaning
you might find me very simple
You might think that images boring
Cars and cans and chairs and flowers
You might find me personally boring
Hammer, sickle, Mao Tse Tong
Mao Tse Tong
Images, images, images
I think that it bears repeating
the images upon the ceiling
I love images worth repeating
and repeating and repeating
Images, images
Oh, images, oh, images
http://www.alwaysontherun.net/lou3.htm#d8
