Kommienezuspadt
28.2.04
 
Nota:
Todos têm em si algo de bom e algo de mau. Não há anjos, não há diabos. Há pessoas. Gostaria que cada um de nós tivesse a força e a clareza de espírito para se aperceber de um momento menos feliz. Há quem não o consiga fazer. Constatei. Irritei-me criticamente. Julguei até - foi o meu momento menos feliz. Há uma razão para cada coisa que acontece. Até para tentativa atrás de tentativa de parecer engraçado, atiradiço, moderno e mais uma data de coisas que aqui prefiro não registar. Ao tentar entender o que se passou, vejo que há ali um mundo de entristecimento. Remeto-me ao silêncio. Period.
 
Peregrinação Primeira - Day 5 and last
Back to life.
Hoje cheguei armada de dor de cabeça. Gigantesca. HUGE... Queria tê-la deixado em casa, mas ela recusou-se, não percebi porquê... Como habitualmente, a agonia da escolha do cadeirão - são uns seis ou sete e todos vazios... que dilema! Sento-me num ao calhas (ou seja, no mesmo em que me sentei todos os dias!). Bons dias e bons dias! Vamos lá então! (aquele ar maternal dos enfermeiros que, de repente, me fez lembrar aquele ar maternal dos professores...!). Picadela um e dois, pois claro!
Hoje é o último dia. Mentalmente, já estou com um pé na rua. Tenho consciência de que esta perspectiva não facilitará as coisas. Portanto... agarro no livro e leio um dos contos - história de crime cometido por mulher, escrita por mulher (uhm... haverá aqui alguma leitura subjacente possível?! Estas coisas analisadas freudianamente...). Os costumeiros semanais e os costumeiros paraquedistas-de-um-dia-só. Todos apressados, sempre apressados, tão apressados que me apressam também a mim que não tenho pressa. Os frascos hoje rebelam-se, teimosos, arrastantes no tempo. Partem, fico sozinha, entregue a uma televisão cruel! E os frascos que, devagar, devagar, devagar, quase me imobilizam. Ilusão apenas, que estou dentro do timing normal... mas é já a alma a puxar-me de regresso à vida!
Termina a peregrinação. Passaram cinco dias. Houve espaço para tudo. Até para ter frio, um frio de rachar, para rever gente com quem não falava há imenso tempo, para ver que a vida não pára nunca.
O estranho mundo, que revisitei e a que pertenço também, vai-se descolando gradualmente da minha pele. Sinto-o. Despeço-me. No próximo mês estarei de volta. Não penso nisso agora. Agora é viver!
 
Peregrinação Primeira - Day 4
Quando se faz uma pregrinação tem que haver alguma paz de alma, senão a peregrinação não tem qualquer sentido or maybe not, depende!
Sento-me calmamente. Fui, como sempre, a primeira a chegar. Serei, como sempre, a última a sair. Estou habituada. Faço esta peregrinação há já sete anos. Houve dias em que cheguei cedinho e saí à hora do jantar. Agora chego cedinho e saio a meio da tarde, quando as coisas correm bem, e continuo a ser a última a sair! Tenho três frascos grandes pela frente. Cada frasco cerca de duas horas. A picadela da praxe. Não se acertou, malandra da veia... fugiu! Onde anda? Ai ai! Picadela segunda, já está! Agora, seis horas de estágio:
Pensar na vida,
listar mentamente coisas a fazer,
observar as reacções das pessoas que vão entrando bom dia! Então, há muito tempo que não a via por cá! Já só faz três frascos grandes? Que bom!,
pensar na vida,
olhar para a televisão e pensar que porcaria de programa é aquele?? Não há Cabo aqui?? (kidding!),
amanhã os turistas,
não, amanhã não os turistas
vou ler, puxo do livro e leio duas páginas, que cansaço... tudo a falar aos gritos, porque será que as pessoas não conseguem falar sem ser aos gritos??
música, antes,
TSF, notícias, ok, também é bom,
de meia em meia hora, repetidas, que seca,
olá, tá boa? E eu de repente concentrada nas notícias que já ouvira mil vezes! olá!
converseta animada,
vão e vêm, eu fico,
livro,
TV, as notícias, que já ouvira na TSF não sei quantas vezes!
está tudo bem? está a sentir-se bem? tudo! sim, estou! sorriso,
o livro,
tento não ligar às piadas sem graça do you-know-who,
música,
fecho os olhos e salto de estação em estação,
último frasco, Vitória!, por hoje!
pensar na vida.
O mundo já se foi, sempre apressado. Eu apressada também, mas sem o dizer. Para quê? Tenho que ali estar... Está sempre tão calma!, diz-me a enfermeira, soubesse ela do turbilhão de ideias e pensares e sentires que naquelas horas se viveram!
Time to go. O último frasco é o que custa mais. O tempo arrasta-se.
Amanhã estamos de volta!
 
Peregrinação Primeira - Day 3
Ironia ou talvez não. Há certas formas de humor, ou pseudo-humor, que não entendo. Será eventualmente falha minha. Não sei.
Chegámos a meio do tratamento. Dia de dores de cabeça. O eleito. Previno-me em casa com dois daqueles comprimidos que nos tiram as dores de cabeça e que eu odeio (pronto, disse). Chego cedo, que o táxista conhecia caminho por portas e travessas, depois de me contar a história das suas preocupações com o Euro 2004, história essa que me agradou ouvir, primeiro por gostar de ouvir histórias, depois por me distrair do enjoo que se instalara com as curvas e curvinhas da estrada militar e, finalmente, por ter o táxista tido a amabilidade de não se querer enterrar num monólogo sem sentido, mas de ter, pelo contrário, contado a sua história em diálogo (o que foi extraordinário!).
Como não há bela sem senão, chegada ao local da peregrinação, dou de caras com o indivíduo que mais me irritou nos últimos tempos. Que me tenha irritado por se ter posto aos gritos comigo, adiando ele o meu tratamento por uma semana, por ter ficado perplexa com a cena e não ter sequer dito nada, à excepção de um lacónico se acontecer alguma coisa entretanto não me esquecerei de vir aqui pedir-lhe responsabilidades, por pensar que o indivíduo era enfermeiro por tratar ele de adiar e marcar e pôr e dispôr dos dias de tratamentos, e ser afinal auxiliar (o que ainda mais perplexa me deixou - Nota: segue exposição a quem de direito, sorry, que quando a mostarda me sobe ao nariz e vejo que a saúde das pessoas está em questão...), tudo isto era já irritação q.b. Contudo, o humor mordaz da piada fácil e brejeira, foi demais para mim. Talvez o defeito seja meu, talvez. Talvez seja old-fashioned e ache que um auxiliar deva auxiliar e não fazer comédia. Talvez me seja muito clara a linha que traça a diferença entre humor (tentativa... fracassada... de fazer humor, a julgar pela reacção geral das pessoas) e a boa-disposição. Talvez. Não sei. Na verdade, não aguento a brejeirice... Phones e música. De olhos fechados!
27.2.04
 
Peregrinação Primeira - Day 2
Feriado. A peregrinação faz-se pelo caminho longo. Há quem tenha que, por essa razão, usar uma cadeira de rodas. Eu não. Caminho sem hesitação. Estará já a dar efeito? Ou será um certo efeito de placebo?
Corre tudo bem. O reboliço das visitas atenua a monotonia da espera. Porque não lês?, perguntam-me em casa. Não consigo concentrar-me, há muita agitação, muita gente. Tento observar as pessoas em vez de me focalizar nas dores de cabeça que começam a instalar-se, senhoras de visitas habituais, zelosas dos seus direitos de propriedade. Eu, teimosa, ou persistente, como diz alguém do longe neste momento, ignoro-as.
Ao fim da tarde está o tratamento feito. Espero pela minha boleia, enquanto tomo um galão quentinho. Doi-me o braço, mas who cares!, o galão está óptimo! Sei que tenho o caminho de regresso para fazer, mas who cares!, o galão está mesmo óptimo!
 
Peregrinação Primeira - Day 1
Há dias em que uma pessoa se vê confrontada com um mundo que apesar de familiar, num repente, lhe parece totalmente estranho. Dia 1 da peregrinação primeira. Já fiz este percurso n vezes. Sei o que implica, a espera, o eixo monotonia/irrequietude impaciente (mais alheia que própria, que já me resignei às horas infindáveis que ali estou destinada a passar). A vida gira, então, em torno daquela sala, dos rostos que por ali vão passando e dos que se repetem diariamente ao longo da semana. Há um reconhecer de gente que já se viu, que já se conheceu, dos esquecidos, dos que têm boa memória, dos indiferentes, dos faladores-compulsivos, dos deprimidos, dos deprimentes, dos apressados. Há o traçar da semana, como que se de um mapa se tratasse.
No instante em que nos apercebemos das pessoas que veremos, do ambiente que teremos, é nesse preciso instante que temos consciência de que, por muito familiar que aquele espaço, aquele percurso, seja, não nos reconhecemos ali. Não pertencemos àquela realidade, apesar de pertencermos, de facto... Curioso. Estamos entre pares, sabê-mo-lo, contudo não nos identificamos com as penas que ali se derramam.
Seremos diferentes?! Não creio. O que será então?
Inspiro e desespero por tranquilidade de alma.
18.2.04
 
Stuff

1. Está frio.
2. Está mal.
3. O gato está aninhado algures, escondido.
4. Está frio.
5. Está mal.
6. Tótó.
7. Estás a repetir-te.
8. Fine.
9. Mau. Tanto negativismo.
10. From the beginning.
11. Está frio.
12. Não chove!
13. O que é bom!
14. Futebol.
15. Tive que comer à pressa.
16. Uhmm.. ia dizer... o que é mau, de novo.
17. Pensar no mar.
18. Pensar no sol.
19. Que é bom!
20. Hoje.
14.2.04
 
Of Love and Lovers III

amor
do Lat. amore
s. m., inclinação da alma e do coração

in Dicionário de Língua Portuguesa Online, Texto Editora

Parece simples, mas...! E ainda bem!!
 
Of Love and Lovers II

BRIGHT star! would I were steadfast as thou art—
Not in lone splendour hung aloft the night,
And watching, with eternal lids apart,
Like Nature’s patient sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth’s human shores,
Or gazing on the new soft fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors—
No—yet still steadfast, still unchangeable,
Pillow’d upon my fair love’s ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever—or else swoon to death.

finis

-- John Keats
 
Of Love and Lovers

Enter ROMEO.

Rom. He jests at scars, that never felt a wound.

JULIET appears above at a window.

But, soft! what light through yonder window breaks?
It is the east, and Juliet is the sun!
Arise, fair sun, and kill the envious moon,
Who is already sick and pale with grief,
That thou her maid art far more fair than she:
Be not her maid, since she is envious;
Her vestal livery is but sick and green,
And none but fools do wear it; cast it off.
It is my lady; O! it is my love:
O! that she knew she were.
She speaks, yet she says nothing: what of that?
Her eye discourses; I will answer it.
I am too bold, ’tis not to me she speaks:
Two of the fairest stars in all the heaven,
Having some business, do entreat her eyes
To twinkle in their spheres till they return.
What if her eyes were there, they in her head?
The brightness of her cheek would shame those stars
As daylight doth a lamp; her eyes in heaven
Would through the airy region stream so bright
That birds would sing and think it were not night.
See! how she leans her cheek upon her hand:
O! that I were a glove upon that hand,
That I might touch that cheek.

Jul. Ay me!

Rom. She speaks:
O! speak again, bright angel; for thou art
As glorious to this night, being o’er my head,
As is a winged messenger of heaven
Unto the white-upturned wond’ring eyes
Of mortals, that fall back to gaze on him
When he bestrides the lazy-pacing clouds,
And sails upon the bosom of the air.

Jul. O Romeo, Romeo! wherefore art thou Romeo?

-- William Shakespeare , Romeo and Juliet, Act II. Scene II.
 
Valentim
Ah pois, cá está ele de novo! Na rua, as conversas do costume. Vai lá comprar-lhe umas flores! Nem penses, já estamos juntos há imenso tempo, essa fase já passou... (HUH?) Que compraste para ele? Bem, vi-me aflita... comprei-lhe uma camisa. (HUH??) Fui ali e havia tanta coisa para escolher que fiquei todo baralhado. E que trouxeste afinal? Eh pá, uma lingerie... vermelha (olhar maroto) (HUH???).
Ok, receber presentes é sempre giro, apesar de haver certos presentes em relação aos quais nem se sabe bem para quem é o presente afinal...! Mas... Enfim... E que tal apenas, I sure love you, um beijo e um sorriso imenso? Já não se usa...
13.2.04
 
De um estágio que devia ser obrigatório...
... todos nós devíamos, doentes ou não doentes, ser obrigados a passar uma manhã, uma tarde, num hospital. É, de facto, uma humbling experience. Faz-nos recordar que temos toda a sorte do mundo, sim, aquela sorte que tanto maldizemos.
Uma rapariga nos seus vinte e poucos anos, amparada por canadianas, arrastando uma perna, mas andando, andando sempre.
Um indivíduo com marcas de um traumatismo craneano, com alterações ósseas visíveis, que não o deixam abrir totalmente um dos olhos, olhando todos de frente.
Uma senhora nos seus quarentas e muitos, cambaleante, a ajudar a sua mãe muito idosa, que tem uma dificuldade imensa em se levantar da cadeira onde esperou que a consulta da filha terminasse.
Um indivíduo numa cadeira de rodas, com as mãos deformadas pela degeneração muscular, empurrando a sua cadeira, lentamente.
Um número imenso de rostos, sentados, esperantes, numa sala a abarrotar de gente, o ar irrespirável. O corropio do não é neste guiché, é no andar de cima, é no andar de baixo, é na Central de Consultas, é aqui, é ali, é acoli... Esperar, esperar, esperar... Uma galeria de horrores ou, pelo contrário, (correndo o risco de parecer melodramática...) um tratado de humanidade e de resistência?

Sempre que venho do hospital, resmunguenta por causa da espera, das bichas intermináveis, dos carimbos, das vinhetas, da loucura das burocracias, vêm-me à memória os rostos que observei com mais intensidade. Recordar-me-ei deles claramente durante algum tempo. Far-me-ão pensar que tenho uma vida fantástica e não deixarão que me queixe de pequenos nadas sem o mínimo de importância.

-- Barber, Adagio for Strings, é a música em que penso...
8.2.04
 
Prioridades ou as perguntas do eu
Esquecer o que alguém fez, que nos tenha magoado ou manter a nossa posição porque já nos magoaram várias vezes? Pensar em nós próprios ou nos outros? E onde está aquela linha para além da qual devemos dizer basta? Onde?

what if a much of a which of a wind
gives the truth to summer's lie;
bloodies with dizzying leaves the sun
and yanks immortal stars awry?
Blow king to beggar and queen to seem
(blow friend to fiend: blow space to time)
-when skies are hanged and oceans drowned,
the single secret will still be man

what if a keen of a lean wind flays
screaming hills with sleet and snow:
strangles valleys by ropes of things
and stifles forests in white ago?
Blow hope to terror; blow seeing to blind
(blow pity to envy and soul to mind)
-whose hearts are mountains, roots are trees,
it's they shall cry hello to the spring

what if a dawn of a doom of a dream
bites this universe in two,
peels forever out of his grave
and sprinkles nowhere with me and you?
Blow soon to never and never to twice
(blow life to isn't: blow death towas)
-all nothing's only our hugest home;
the most who die, the more we live.
-- e.e.cummings
5.2.04
 
Se um minuto...
... é muito tempo, três horas é uma eternidade, em especial quando o público-alvo é complexo beyond belief! Mas, I'm alive, portanto... como eles dizem... tá-se!
.
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Nota para o futuro: nunca, mas nunca, voltar a fazer análises em dia de público complexo beyond belief, que aquele niquito de blood faz cá uma falta para a estaleca! Kidding kidding!
3.2.04
 
Just a note

T, lembras-te da definição de Blog de que, há uns dias se falava?

Eric's ten-part definition of a weblog (courtesy RicM, thx!):

A weblog is a website.
The items in a weblog are usually presented in chronological order.
A weblog is usually written by one individual in the first person.
A weblog often posts links to other sites of interest to the author.
A weblog usually has an RSS feed.
A weblog is usually updated regularly, daily or several times per week.
Some weblogs have places for readers to enter comments.
Some weblogs have a blogroll.
A weblog usually lets the personality of its author show through.
A weblog usually contains content produced by an amateur writer, not a professional.
http://software.ericsink.com/Dear_Google.html

Pronto, agora já sabes. Dos tais treinos, não fala, mas olha, também não se pode ter tudo! (wink wink)

1.2.04
 
Alice, once again
...
`I said you looked like an egg, Sir,' Alice gently explained. `And some eggs are very pretty, you know, she added, hoping to turn her remark into a sort of a compliment.

`Some people,' said Humpty Dumpty, looking away from her as usual, `have no more sense than a baby!'

Alice didn't know what to say to this: it wasn't at all like conversation, she thought, as he never said anything to her; in fact, his last remark was evidently addressed to a tree -- so she stood and softly repeated to herself: --

`Humpty Dumpty sat on a wall:
Humpty Dumpty had a great fall.
All the King's horses and all the King's men
Couldn't put Humpty Dumpty in his place again.'


`That last line is much too long for the poetry,' she added, almost out loud, forgetting that Humpty Dumpty would hear her.
`Don't stand there chattering to yourself like that,' Humpty Dumpty said, looking at her for the first time,' but tell me your name and your business.'

`My name is Alice, but -- '

`It's a stupid name enough!' Humpty Dumpty interrupted impatiently. `What does it mean?'

`must a name mean something?' Alice asked doubtfully.

`Of course it must,' Humpty Dumpty said with a sort laugh: `my name means the shape I am -- and a good handsome shape it is, too. With a name like your, you might be any shape, almost.'
...
-- Lewis Carroll, Through the Looking Glass, Chapter 6 - Humpty Dumpty

 
Food for thought III
A TRAVELER wearied from a long journey lay down, overcome with fatigue, on the very brink of a deep well. Just as he was about to fall into the water, Dame Fortune, it is said, appeared to him and waking him from his slumber thus addressed him: "Good Sir, pray wake up: for if you fall into the well, the blame will be thrown on me, and I shall get an ill name among mortals; for I find that men are sure to impute their calamities to me, however much by their own folly they have really brought them on themselves." Everyone is more or less master of his own fate.
-- Aesop, The Traveler And Fortune

 
Food for thought II
A HUNTER, not very bold, was searching for the tracks of a Lion. He asked a man felling oaks in the forest if he had seen any marks of his footsteps or knew where his lair was. "I will," said the man, "at once show you the Lion himself." The Hunter, turning very pale and chattering with his teeth from fear, replied, "No, thank you. I did not ask that; it is his track only I am in search of, not the Lion himself." The hero is brave in deeds as well as words.
-- Aesop, The Hunter And The Woodman

 
Food for thought I
AN EAGLE stayed his flight and entreated a Lion to make an alliance with him to their mutual advantage. The Lion replied, "I have no objection, but you must excuse me for requiring you to find surety for your good faith, for how can I trust anyone as a friend who is able to fly away from his bargain whenever he pleases?' Try before you trust.
-- Aesop , The Lion And The Eagle

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