Kommienezuspadt
13.9.06
 
Ferien!
O bar
Naquele bar há uma dança. Não é uma dança qualquer. É uma dança enigmática, coreografada. Quem não a conhece corre o risco de ficar mal visto. Há que prestar atenção, muita atenção.
Primeiro entra-se no bar. Olha-se para todos os lados com um ar confiante. Depois, quando já todos se habituaram à nossa presença, aproximamo-nos do balcão do bar e pedimos uma bebida qualquer, com descontracção, sem olhar para todos os lados com um ar aflito de cria abandonada. E voltamos a afastar-nos do balcão.
Depois de alguns minutos, vamos buscar a nossa bebida e encostamo-nos àquelas mesas ridículas na sua pequenez minimalista, encostadas à parede, na quase total escuridão. Será esta a minha bebida? Tem um sabor diferente…
Quando a leva de gente que estava ao balcão se afasta e vagam uns lugaritos, avançamos, destemidos, e sentamo-nos nuns bancos de pé alto bons para cair da tripeça…! Penso sempre, é agora que vou partir uma perna, quando descer daqui, mas depois acalmo-me e lembro-me de que estou num espaço em que a densidade populacional é uma das mais elevadas no mundo! Nem na China, nem na China! Alguém há-de ter a amabilidade de me amparar o tombo!
O tempo vai passando e a conversa também. Olhares gulosos percorrem as pernas das miúdas empoleiradas naqueles bancos de pedestal. Entretanto outras ondas de gente se aproximam, fartas de estar, também elas, na sua dança, à espera de um lugar ao balcão. Começamos a sentir uma pressão de desconforto e olhamos para a esquerda e para a direita à procura de uma mesa. Nada. Fingimos que não percebemos a pressão e continuamos por ali. E a dança continua. Empurram-nos com os cotovelos enquanto se esticam para ir buscar as suas bebidas ao balcão, como nós antes fizéramos também. Farto-me daquilo e num ataque de claustrofobia aguda, digo “ vamos embora” e vamos.
Esta dança não é para mim! Bazando!



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