Kommienezuspadt
13.9.06
 
FERIEN!
Gaivotas
Se há coisa que me anime nestes dias de férias é ouvir as gaivotas a discutir! Acotovelam-se no braço do guindaste e discutem ferozmente. A minha mãe acha que combinam estratégias para reuniões altamente secretas e de importância extrema. Eu acho que se irritam com a liberdade alheia de contornos atrevidos e populistas. Gritam, enquanto voam, aproveitando a direcção do vento. Planam, enquanto traçam a rota que as levará a pousar, todas afastadas umas das outras para evitar conflitos, no tal braço do guindaste.
Também há as rebeldes, aquelas que recusam juntar-se à turba de penas e asas e gritaria. Pousam nas chaminés dos prédios, aos pares, deitam-se, de cansaço ou para evitar o vento, não sei, e ficam ali, expectantes de uma outra qualquer gaivota que passe por perto. Então, num assomo de coragem, ou rebeldia, lançam-se num voo circular, apanhando as correntezas invisíveis.
Eu prefiro as que discutem. Não sei porquê! Mas prefiro quando se juntam às dezenas e se acotovelam por um espacinho seu. Prefiro quando, para arrancarem uns míseros centímetros para o seu descanso, empurram as parceiras do seu poleiro, parceiras que gritam cheias da irritação de quem vê o seu descanso interrompido. Acho-lhes graça! Acho-as quase humanas. E tão diferentes daquelas gaivotas que via na praia, muito senhoras de si, muito flutuantes, muito dignas. Não sei, mas, de repente, foi como se as gaivotas fossem tão tangíveis nas suas pequenas imperfeições como nós.



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