20.2.05
Vota-se, na aldeia
Eu moro na aldeia. É certo de que se trata de uma aldeia mesmo às portas de Lisboa, contudo não deixa de ser uma aldeia. No dia em que se vota, a aldeia alegra-se, ganha vida. Todos se encaminham para o largo dos Bombeiros, onde está a Junta de Freguesia, a igreja, o centro de saúde, o talho, o quiosque dos jornais e o posto dos Correios.Para votar, é na Junta. Em frente ao edifício, acumulam-se os carros dos votantes, em segunda e terceira fila, mas ninguém está preocupado. Reforça-se, desta forma simples, nesta simpática aceitação de esperas e sorrisos, o sentido de comunidade. Encontram-se vizinhos, colegas de trabalho, ex-alunos, pais, avós. Ah, e vota-se. Que o meu nome é árabe, de certeza, e até eu me alegro com o ingénuo equívoco. De regresso, dá-se boleia aos conhecidos que cumpriram também a rotina comunitária. É nesta simplicidade festiva, que corre a vida na aldeia. Vive-se bem aqui.
