10.9.04
Da hesitação...
Depois de 25 anos, seria de esperar que as hostes já soubessem lidar com as crises que ciclicamente se instalam. Contudo, isso acontece apenas com um número muito reduzido de pessoas, curiosamente.
Regra geral, a crise pura e simplesmente não existe. Aquela reacção natural de perguntar "então, estás melhor?", a que mesmo uma miserável constipação tem direito, não acontece. O que acontece, isso sim, é um silêncio de quem atirou para debaixo do tapete a realidade óbvia de que estou em crise. Telefonemas e conversas conversantes acerca do dia-a-dia das rotinas rotineiras rotinadas, de mil e uma coisas, mas a pergunta simples "então, estás melhor?" nunca surge. Será por timidez? Será por não querer ouvir a resposta "estou na mesma..."´? Será por falta de interesse? Ou será pela incapacidade quase perturbante que as pessoas hoje em dia têm de ouvir alguém nas suas penas e saber dizer uma palavra que seja de conforto e de pacificação?
Quem está em dificuldades não quer ouvir "isso passa" ou "depois do tratamento estás fina" ou "não dramatizes" (esta para mim está no primeiro lugar do top dos comentários mais estapafúrdios). Uma pessoa quer que se interessem pelo que se passa. Uma ou duas perguntas bastam. Mas, pelos vistos, não há tempo, não há interesse ou há uma imensa e inultrapassável dose de hesitação... Pena...
