11.12.03
Bellevue VIII, de quando uma maquineta de SPO2 acordou a minha fúria
Se há coisa que me irrite é as pessoas fazerem afirmações peremptórias acerca de assuntos sobre os quais não fazem a menor ideia.
Hoje rio-me, que foi uma situção da treta... Mas na altura fiquei do mais danada que há!
Por causa daquele pequeno embróglio respiratório... bom... pequeno, quer dizer, mais ou menos pequeno... quer dizer... pronto, não conseguia respirar de todo, foi isso... puseram-me uma maquineta linda, com um monitor fantástico, percorrido por uma linha verde que se movimentava conforme... conforme... bom... conforme qualquer coisa que acontecia (aqui, que ninguém nos ouve, acho que era conforme o mau humor do pessoal...mas pshhhhhhhh...) e que apitava freneticamente, numa cadência hipnotizante.
Ora, como se está a adivinhar, tal apitanço alegre não favorecia um soninho abençoado. Eu nem notei, que estava mais preocupada com outras coisas, confesso, nomeadamente continuar viva!, mas houve, de facto, quem se queixasse e eu compreendo... que aquilo era mesmo irritante!
Resultado, uma tarde, enquanto recebia as visitas costumeiras, a enfermeira virou-se para mim e, com um ar solene, disse sabe, hoje à noite tem que deixar que lhe coloquem o aparelho para medir o oxigénio. Fiquei perplexa a olhar para ela. Deixar?? Mas eu alguma vez não deixei alguma coisa aqui?? Ah, que tinha sido essa a informação que lhe tinha chegado... Bom, deu-me um ataque de fúria, que prefiro não reproduzir aqui, por vergonha apenas, e terminei perguntando quem é que lhe tinha dado essa informação. Não mo disse.
Escusado será dizer que fiquei a remoer, a remoer... até que mais tarde, em conversa com uma outra enfermeira, lhe disse, não esquecer a maquineta, que já levei uma descompostura... porquê?!, perguntou a enfermeira, por "me ter negado" a colocar aquilo.
Recusado?? Não foi nada disso que foi dito. O que se disse foi que a senhora da cama ao seu lado estava constantemente a refilar por causa do bip-bip do aparelho, foi isso!
Ahhhhhhhhhhhh!
A primeira reacção foi a de esclarecer o assunto junto da primeira enfermeira... mas depois pensei... para quê?? Não interessa nada! Coisa pequena...
Mas que aquela questão da maquineta me tirou do sério, tirou, puxa!
É o mal de se ter pouco que fazer!!! (sorriso!)
